FRIDA
Quando eu falar e não olhar em seus olhos
quando você falar
e eu...meus olhos baixar
Entenda
não estou suportando ler o que vi
sua mente
Quando meus olhos estiverem perdidos
É porque todo esse barulho me tortura...
esse barulho insuportável que range no silêncio
Tento fechar os olhos para não
mas tudo continua claro como um amontoado pedras lunares
o que pode me desligar desse tormento
Meus ouvidos não suportam as palavras não ditas
Vou adoçar meu café com Napalm pela última vez coadjuvante pierrot
quando eu não olhar em seus olhos
É porque não posso ouvir o que eles dizem
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
quarta-feira, 19 de junho de 2019
Um fator kafkiano de certo
se sente uma lagosta, baratas aquáticas
Desencaixada da sua carapaça repulsiva
Um cutelo lhe quebraria o sufoco de viver nesse casco asqueroso
explosão em fogo e tormento
gigantesca
Precisa arrancar
imensidão de caminhos
Não cabem
Tudo machuca
Seu corpo se ressente
chora pedras, cristais, adagas, silvos
Um crustáceo miserável
Sorri apesar de si mesma
teatro absurdo
Um resumo mediano
de cores
vazios
Universos paralelos no estômago
Sem olhos.
Texto: Karem Schumacher
domingo, 14 de abril de 2019
Da arte mais bela e solitária fiz o mais terrível trabalho
um amontoado de mágoas e fracassos
Da arte mais nobre e silenciosa,
fiz um barulho metálico ensurdecedor
um silêncio doentio
uma mente tão confusa,
fiz feridas que se escondem em montes de lixo
Em silêncio eu erro
Berro
Encerro
dos rabiscos que criei, nada será lembrado
Como numa profecia maldosa,
da arte mais dolorosa, fiz estragos
Meus olhos não se erguem mais
Meus medos me acorrentam em pavores constantes
me escondo, não deixo mais a luz do sol ferir meus olhos
Todas as cores apagadas
Da arte mais ilusória, desejei tudo
quinta-feira, 4 de abril de 2019
sábado, 23 de março de 2019
Desejei
Imaginei
Enlouqueci
tantas e tantas vezes eu quis
fantasias infames
ilusões shakespearianas
uma merda
Mas o corpo se desfaz
a mente chora como louca
medo da sujeira te abocanha
Nada mais a fazer
final pavoroso
é o preço
Poeira infernal...machucada....apagada
Era tudo brincadeira que corrompe
nada mais a dizer
Só restou um olhar distante e uma espera dolorosa, desejando que o tempo acelere
Querendo a piedade de algo
de alguém
Nem sabe o que
apenas lama
Olhos embaçados
dores atrozes.
Teu corpo é devorado
por vermes de dentro pra fora
De fora pra'dentro te estraçalham a pele...a dignidade
Morada do ódio alheio
Até que se desgaste e seja mofo
até que seja nada
Teu corpo é vazio de maldade
Descartável
derrube lágrimas de fogo
Seja o mal
devore a si mesma
Não permita mais o toque
espalhe suas cinzas indecentes ao vento
Seja a sombra que vigia
vá se deitar antes do fim
Antes que as asas bataam em teus ouvidos dizendo que é chegada a hora
feche os olhos
Recolha tuas flores preferidas
Teu corpo é vazio
colônia do mal
serás anjo esquecido
Não permita que suguem tuas últimas forças...seja um monstro
Arranhe e machuque
Não deixe que digam que era só isso
Letras escarlates em lápides de pedra brilhante na chuva
Chuva de gotas azuis que eram seus olhos
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
A bruxa matou o diabo
Afogado
Ela arracou seus olhos venenosos
Matou em delírio frenético
O diabo vaidoso
Pequeno
Ela sentiu suas forças astrais retomadas
O diabo rastejante implorou
Mas a bruxa o matou
Diabo rastejante, que sugava suas forças
A bruxa está viva outra vez
Afogado em água perfumada de rosas vermelhas
Ela deu a volta
Puxou o pequeno diabo pelo rabo e o mandou de volta para suas sombras distantes de morros tardios
Ela arrancou os olhos do diabo para que ele parasse de olhar para seu umbigo maligno que destrói
O diabo é pequeno
Precisa da bruxa para se alimentar
Ele foi esmagado sem dó
A bruxa fecha os olhos
Respira
Traz seu universo de novo a girar.
Numa dessas curvas da vida esqueci de mim
foi quando parei de me olhar
numa dessas curvas comecei a aceitar migalhas
marginalizei meu coração e escondi minha alma em alguma gaveta imunda
Anulei meu sangue
acabei
violei meus pesares para sorrir sem vontade
fiz moeda de troca com meus sonhos
aniquilei as chances
enterrei chorando minhas sombras
Me procurei, mas não existo mais
cada rua
cada trago
cada vez que fecho os olhos e tento voltar
talvez sem tempo
talvez sem coragem
Talvez um dia
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
A bruxa matou o diabo
afogado
Ela arracou seus olhos venenosos
matou em delírio frenético
O diabo vaidoso
pequeno
suas forças astrais retomadas
O diabo rastejante implorou
mas a bruxa o matou
Diabo, que sugava suas forças
a bruxa está viva outra vez
Afogado em água perfumada de rosas vermelhas
Ela deu a volta,
puxou o pequeno diabo pelo rabo e o mandou de volta para suas sombras distantes de morros tardios
arrancou os olhos do diabo para que ele parasse de olhar para seu umbigo maligno que destrói
O diabo é pequeno
se alimenta da bruxa
ele foi esmagado sem dó
A bruxa fecha os olhos
respira
Traz seu universo de novo a girar.
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Licença Para Matar
Terão licença para matar
nas ruas escuras silenciosas
Terão licença para te pegar, espancar
extermínio
nos bairros afastados
na chuva
medo
Medalhas, estrelas que matam penduradas nos ombros
pavor
Olhos negros abaixados
medo da pele
medo da ginga
de ser
A morte vai te seguir nos becos
nas esquinas tortuosas em cada curva
servindo
chorando
enterrando vidas de graça
Medo da noite, do dia, da chuva
medo de existir nas cidades bizarras
Medo
licença para atirar
pergurntar depois
você vai chorar,
suas lágrimas sangrentas não terão importância
Suas flores jogadas, o primeiro punhado de terra,
Foda-se
você precisar obedecer ou vai morrer
Morreremos.
Rosa vermelha que peguei do chão,
sangrou em minhas mãos
Sangue que cheirava a champanhe
tinha ares de fumaça
Beirava a loucura com saltos altos e riso safado
Rosa vermelha que me persegue e me destrói
Me arrasta pro abismo de mim mesma
Ri com escárnio da minha fraqueza
Por desejar amor.
Amor que nao existe
Que não me exerga
Rosa vermelha que me odeia
me tortura
Rosa de olhos malignos que ferem.
Rosa vermelha maldita.
Sou um fracasso de certo.
A mais insignificante das flores que despencam e morrem esmagadas no asfalto
Para regozijo de quem já me condenou
Se sou alma, estou condenada
Se sou pedra,
das mais ásperas
De olhos baixos
me escondo.
Nas sombras sonho ser luz
Talvez
Cinzenta
quero ser vermelho
quero ser silêncio
mas grito como louca
um mar congelado de extrema agonia
sou vento que ninguém vê
Se sou átomo
sou universo
Presa num delírio frenético
corrosão
Sou sujeira que incomoda
sombra de dores e alegrias
Me esqueço do ódio
Acabo num dia de chuva.
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
quinta-feira, 27 de setembro de 2018
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Escravizados pela oração
pelo sexo
pelo medo
Escravizados pelo consumo sujo
aguardando palavras de ordem
Submissão, fantasia de liberdade
apáticos
eufóricos
doentes
perdidos
massa de manobra imunda
Pensam que pensam
acreditam ter escolhas
tudo determinado
Nada escapa
os marginais são livres
são sujos
são nada
Todas essas bocas famintas
famintas de amor
de pecados ditados por vermes
Todos desejam
obedecem
Escondem sonhos
afogam em álcool
morrem em cinzas de cigarros
matam por migalhas
engolem o veneno das telas
Cegos
Torpes
Vazios
Todos obedecem para morrer
