Presos na tela da tv
olhos arregalados
Milagres!
Ali na nossa cara
escarros de absurdos
arrancando com dentes vorazes cada centavo.
O Diabo por todos os lados
espiando, esperando
com um sorriso sórdido
contando notas
Escárnio
Comércio de almas
almas famintas
almas cegas
de jolelhos
Glória!
Cada moeda sua
Rindo, um riso sangrento de morte
Dê o dízimo, rasteje
esperança do paraíso que nunca vem
medo, culpa
pecados desejados
todos choram
todos vendem sua divindade para o lixo
todos acreditam
Morrem
se disolvem como um pesadelo
mãos calejadas
mente alienada
Fim sem começo
quarta-feira, 21 de março de 2018
sexta-feira, 16 de março de 2018
LIFELESS DEAD
MORTA SEM VIDA
Receio estar morta agora...
Posso ver a água vermelha se esvaindo pelo ralo do chuveiro, levando minha vida.
O vapor enchendo o quadrado onde estou, caída de mau jeito, uma imagem grotesca, a boca semiaberta, os cabelos escorrendo como algas repugnantes.
Ainda ouço a música, muito apropriada para meu último ato, as guitarras gritando desesperadas tentando me acordar, mas meus olhos já não se abrem mais.
Não existe mais dor, desespero ou a sua falta. Nada mais importa, só queria poder ouvir essa música até o fim.
“Então um demônio veio até ela,
Você sabe que eu vou vencer”
quarta-feira, 14 de março de 2018
DAMA DA NOITE
Sempre chegava quando o dia estava clareando, embriagada, enlouquecida, mal ajambrada eu diria, ou na melhor definição, desmontada.
Começava pelos cabelos que tirava com cuidado para não precisar escovar novamente no outro dia, o que era impossível, teria de escová-los com toda certeza.
As unhas eram a parte mais incômoda, detestava arrancá-las, o que sempre fazia com um misto de fúria e preguiça.
Deixava as sandálias jogadas de qualquer jeito, as pernas doíam, o corpo doía, nada doía mais do que seu espírito corrompido e dominado por todos os vícios.
Se odiava todos os dias, quando via a maquiagem borrada como um palhaço de mau gosto. Arrancava as roupas de qualquer jeito e se jogava na cama para fumar seu cigarro solitário.
Ela não era feliz quando estava sozinha, era preciso guardar os sorrisos para os clientes.
Ali no escuro, a única luz que podia ser vista era a brasa do cigarro se movendo como um vagalume, por vezes em rápidos movimentos, para depois ficar planando no ar sem inerte.
A fumaça se misturava com suas lágrimas por vezes, queimava seus olhos cheios de sombra azul, que ela não tinha ânimo para limpar. Depois cansada de sentir pena de si mesma, decidia que precisava ser um homem forte, amanhã seria um outro longo dia de trabalho. Melhor dormir agora Alberto dizia para si, jogava a bituca do cigarro no chão, puxava o cobertor desgastado, e tentava fugir para onde pudesse não sentir, odiava sentir.
quinta-feira, 8 de março de 2018
Tomo você
goles de submissão
entrega
Tomo você de joelhos
de olhos fechados
Chuva caindo
o dia inteiro esperando
Provocação do gozo
espero, espero
Tomo você
se desmancha inteiro na minha boca
Um cigarro
me deixa jogada na cama
Meus dedos não podem me acalmar
você diz a hora
quase imploro
Tomo você
cada gota
Minha lingua busca você
HELENA
És mulher agora
forte
fragilizada
única.
Tuas primaveras por vezes sombrias
teus invernos incandescentes
tua dignidade ácida me corroi
me mastiga.
Teu poder me alegra,
tuas sombras me fazem chorar.
Palavras que queimam como ferro em brasa.
É luz, imensurável, melhor, mais bela
teus dias de mulher começam
teu chôro de vida inicia
teu sangue marcou tua vida
cicatrizes eternas
da alma, dos olhos.
Nasceu com as palavras nas mãos também.
Paradoxo de doçura e frieza
te tornas mulher de fato
tuas dores serão imensas
tuas alegrias
Inunda o mundo com tua sabedoria, tua tirania
Grava em tinta tua arte
De todas as formas
Palavras
Riscos
Cores
És a essência do meu melhor
És arte
Peculiar
Irritante
Imensa
Helena.