quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Escravizados pela oração
pelo sexo
pelo medo
Escravizados pelo consumo sujo
aguardando palavras de ordem
Submissão, fantasia de liberdade
apáticos
eufóricos
doentes
perdidos
massa de manobra imunda
Pensam que pensam
acreditam ter escolhas
tudo determinado
Nada escapa
os marginais são livres
são sujos
são nada
Todas essas bocas famintas
famintas de amor
de pecados ditados por vermes
Todos desejam
obedecem
Escondem sonhos
afogam em álcool
morrem em cinzas de cigarros
matam por migalhas
engolem o veneno das telas
Cegos
Torpes
Vazios
Todos obedecem para morrer

sábado, 11 de agosto de 2018

terça-feira, 3 de julho de 2018

Palavras
destroçadas
idolatradas
Palavras amassadas, sufocadas
palavras rabiscadas, sangradas
desmascaradas
aniquiladas
Palavras vazias
ironizadas
Vozes secas sem palavras
Gritos, urros, suspiros
Palavras odiadas, arranhadas
Malditas
Sombras de letras, palavras cinzentas
sopa de letras mal formadas
Palavras desenhadas, em fotografias esquecidas
palavras de amores, falsidades, ilusões, alegrias
Bocas amargas que cospem palavras de orgias
palavras de morte, de velas acesas nos vãos, nas esquinas.
Palavras que acendem cigarros e calam, agonia.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

FELICITAÇÕES

Me calo
para nao precisar lhe cuspir de volta sua condescendência
me calo
Fecho meus olhos
respiro fundo
derrubo lágrimas dolorosas
aguento firme
Suas palavras financeiras me machucam
me fazem sentir ódio
Medo
Fracasso
Me calo quando você me diz que sou lixo
engulo seco
me escondo
Ouço sua voz atrás de portas me julgando, condenando
me faz um demônio sujo
Aperto as mãos até minhas unhas me ferirem
Me calo
A volta ao mundo é minha deixa
meu silêncio, minha ausência
condenada por não ser
massacrada
Nas sombras me colocam
nada importa
Meus olhos vazios não tem mais vontades
Na fogueira das vaidades queriam que eu queimasse
Sou gelo
que corta e fere
Que morre