quinta-feira, 3 de maio de 2018

Cada passo incerto
Cada vez que as mãos tremem
Cada lágrima que cai
Lutando pra se manter de pé
Quer fechar os olhos
Quer deixar tudo pra trás
Tentando não ver as sombras desse desarranjo monumental
Querendo gritar a todo momento
Tentando fugir das amarras
Como um zumbi vive
Vive?
Não mais
Projeta sombras de cinzas
Cospe fogo com olhos de basilisco
Tenta
Por mil anos tentará
Por mil anos poderia dormir
E seus sonhos cruéis seriam nuvens esparsas
Seus pesadelos vermelhos de ódio
Suas mãos, seus pés feridos
Vivendo sufocada por lixo social
Vivendo uma vida de merda
Esperando, lutando, fugindo
Melhor destruir tudo ao seu redor
Melhor mastigar a raiva e engolir até que a garganta fique seca
Melhor ser um robô sorridente
Não mais tentar.

sábado, 14 de abril de 2018

Tão Macabéa.
Aos inversos
pele descolorida
sem vida
Tão Macabéa
desvalida
Anda pelas ruas
queria usar batom
chinelos de borracha
quase arrasta pos pés quando anda.
Parece Atlas carregando o mundo
não sabe quem é Atlas,
seus olhos de animal manso
sem brilho
nem perspectivas
Queria usar batom
Chega em casa, lava a louça e liga o rádio
nem gosta de música
Nunca se lembrou de gostar de quase nada,
gosta de batom
Queria um vermelho,
mas sua pele desbotada faz parecer um quadro de mal gosto,
ela não sabe de nada.
Apenas que queria usar batom.

domingo, 8 de abril de 2018

Parasitas sociais
Invisíveis
Desnecessários
cada um.
Sorrisos em bocas apodrecidas
olhos vidrados em lixo eletrônico
Todos parecem felizes
tudo errado
mentiras
máscaras
Morram todos!
Quero ver todos engasgados com farelos e migalhas lambidas nos bueiros,
nas ruas fétidas.
Provocações invejosas
Raiva
Nojo
Fraqueza
Todos querendo sua cota de Somma
É Huxley...todos criados para serem bonecos risonhos,
afasta de mim o lixo caótico
Me deixe morrer...em Seattle....em Osasco
qualquer sarjeta onde eu possa sufocar
Onde eu possa rastejar até me transformar em um inseto repulsivo
expelindo minha baba venenosa, cheia de rancor
decadência humana
Febril
corte os braços...deixe o vermelho aparecer
esquecendo as dores da mente
deixe a lâmina machucar, a dor é a única realidade possível
feche os olhos, tente fingir
sorria, seu melhor sorriso cadavérico
Seja a sombra que assombra as lembranças
finja que nada existe
Engula sua porção de ilusão.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Parasitas sociais
Invisíveis
Desnecessários
cada um.
Sorrisos em bocas apodrecidas
olhos vidrados em lixo eletrônico
Todos parecem felizes
tudo errado
mentiras
máscaras
Morram todos!
Quero ver todos engasgados com farelos e migalhas lambidas nos bueiros,
nas ruas fétidas
provocações invejosas
Raiva
Nojo
Fraqueza
Todos querendo sua cota se Somma
É Huxley...todos criados para serem bonecos risonhos,
afasta de mim o lixo caótico
Me deixe morrer...em Seattle....em Osasco
qualquer sarjeta onde eu possa sufocar
Onde eu possa rastejar até me transformar em um inseto repulsivo
expelindo minha baba venenosa, cheia de rancor
decadência humana
Febril
corte os braços...deixe o vermelho aparecer
esquecendo as dores da mente
deixe a lâmina machucar, a dor é a única realidade possível
feche os olhos, tente fingir
sorria, seu melhor sorriso cadavérico
Seja a sombra que assombra as lembranças
finja que nada existe
Engula sua porção de ilusão.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Outros tempos
velhas dores,
olhos embaçados de fumaça
Vida cinzenta, caminhos tortos,
fotografias desgastadas de lembranças falsas
meias verdades contadas
uma vida destruida.
Nada.
mentiras escondidas debaixo do tapete
Todos se espantam
se chocam
Condenam
mantendo os mesmos laços de fel
Esmagada como um inseto
Todos em suas poses malditas
Ela?
Jogada,
única,
o sonho de um
aquela imensa obsessão
posse da ilusão.
Amor doentio,
o teve
Tantas vezes
o outro odiou
e a abandonou
Ela possuiu aquele desejo
ainda quer sempre

Luz dos olhos esse amor,

voz rouca, mata de desejo
Ela teve.
Engula sua raiva
Sufoque
Não pode apagar todo o prazer
Intimidade secreta
Sufoque.