domingo, 14 de abril de 2019

Da arte mais bela e solitária fiz o mais terrível trabalho
um amontoado de mágoas e fracassos
Da arte mais nobre e silenciosa,
fiz um barulho metálico ensurdecedor
um silêncio doentio
uma mente tão confusa,
fiz feridas que se escondem em montes de lixo
Em silêncio eu erro
Berro
Encerro
dos rabiscos que criei, nada será lembrado
Como numa profecia maldosa,
da arte mais dolorosa, fiz estragos
Meus olhos não se erguem mais
Meus medos me acorrentam em pavores constantes
me escondo, não deixo mais a luz do sol ferir meus olhos
Todas as cores apagadas
Da arte mais ilusória, desejei tudo

sábado, 23 de março de 2019

Desejei
Imaginei
Enlouqueci
tantas e tantas vezes eu quis
fantasias infames
ilusões shakespearianas
uma merda
Mas o corpo se desfaz
a mente chora como louca
medo da sujeira te abocanha
Nada mais a fazer
final pavoroso
é o preço
Poeira infernal...machucada....apagada
Era tudo brincadeira que corrompe
nada mais a dizer
Só restou um olhar distante e uma espera dolorosa, desejando que o tempo acelere
Querendo a piedade de algo
de alguém
Nem sabe o que
apenas lama
Olhos embaçados
dores atrozes.

Fantasmas de nós mesmos
cruel brevidade de cores
Desfeitos em sufocantes existências
cada centimetro de nada
perecemos
Que a terra nos seja leve, nas maldições auto inflingidas
Poeira do tempo
buscando nossas amargas alegrias, querendo afagar essa ancestralidade mórbida.

Teu corpo é devorado
por vermes de dentro pra fora
De fora pra'dentro te estraçalham a pele...a dignidade
Morada do ódio alheio
Até que se desgaste e seja mofo
até que seja nada
Teu corpo é vazio de maldade
Descartável
derrube lágrimas de fogo
Seja o mal
devore a si mesma
Não permita mais o toque
espalhe suas cinzas indecentes ao vento
Seja a sombra que vigia
vá se deitar antes do fim
Antes que as asas bataam em teus ouvidos dizendo que é chegada a hora
feche os olhos
Recolha tuas flores preferidas
Teu corpo é vazio
colônia do mal
serás anjo esquecido
Não permita que suguem tuas últimas forças...seja um monstro
Arranhe e machuque
Não deixe que digam que era só isso
Letras escarlates em lápides de pedra brilhante na chuva
Chuva de gotas azuis que eram seus olhos

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

A bruxa matou o diabo
Afogado
Ela arracou seus olhos venenosos
Matou em delírio frenético
O diabo vaidoso
Pequeno
Ela sentiu suas forças astrais retomadas
O diabo rastejante implorou
Mas a bruxa o matou
Diabo rastejante, que sugava suas forças
A bruxa está viva outra vez
Afogado em água perfumada de rosas vermelhas
Ela deu a volta
Puxou o pequeno diabo pelo rabo e o mandou de volta para suas sombras distantes de morros tardios
Ela arrancou os olhos do diabo para que ele parasse de olhar para seu umbigo maligno que destrói
O diabo é pequeno
Precisa da bruxa para se alimentar
Ele foi esmagado sem dó
A bruxa fecha os olhos
Respira
Traz seu universo de novo a girar.

Numa dessas curvas da vida esqueci de mim
foi quando parei de me olhar
numa dessas curvas comecei a aceitar migalhas
marginalizei meu coração e escondi minha alma em alguma gaveta imunda
Anulei meu sangue
acabei
violei meus pesares para sorrir sem vontade
fiz moeda de troca com meus sonhos
aniquilei as chances
enterrei chorando minhas sombras
Me procurei, mas não existo mais
cada rua
cada trago
cada vez que fecho os olhos e tento voltar
talvez sem tempo
talvez sem coragem
Talvez um dia